Projeto piloto dará ênfase a Educação Humanitária em Catu
O projeto já existe em diversos países e busca ensinar de forma enfática as crianças valores ligados a ética, respeito ao próximo, aos animais e a natureza
Na manhã dessa quarta-feira, 23, no Fórum da cidade, uma reunião que discutiu a possível implantação da Educação Humanitária nas escolas do município. Estavam presentes alguns vereadores, secretários e autoridades judiciais. Durante a discussão, falou-se sobre os benefícios que do projeto que visa a inclusão de forma mais eficaz de temas sociais, envolvendo alunos, professores e educação do município de uma forma geral.
O convidado escolhido para explicar os conceitos básicos da Educação Humanitária foi Francisco Athayde, que trabalha há nove anos com esse tema e possui um sítio na Estrada do Coco, Camaçari, onde desenvolve esse projeto através das visitas que escolas realizam ao local. Além disso, faz visitas em escolas e parcerias com prefeituras.
Em Catu, a ideia é implantar o projeto em uma escola e logo em seguida disseminar para outras, entretanto, pretende-se começar pelos professores: “A gente vai trabalhar primeiro com os professores da escola que será sede do projeto piloto, capacitá-los para que eles possam desenvolver isso com os alunos e depois trabalhar com os professores das outras escolas”, explica Francisco Athayde.
A implementação do projeto na cidade visa melhorar questões relacionadas ao respeito ao próximo, aos animais e à natureza e, como consequência, as relações dentro da sala de aula. A secretária de educação do município, Ana Teixeira, falou sobre como a efetivação da Educação Humanitária pode trazer melhorias para cidade. “Em relação à escola, é uma forma de trazer uma discussão mais fundamentada e que envolva os professores e a comunidade escolar sobre a humanidade, preservação do meio ambiente, o respeito ao outro e à diversidade”, conta.
A juíza Débora Magda, que trabalha com a vara criminal relacionada à crianças e adolescentes, falou sobre como a Educação Humanitária implantada nas escolas pode reduzir o índice de crimes entre crianças e adolescentes. “ É de fundamental importância a sensibilização das crianças e de seus familiares no que diz respeito a cuidar e não maltratar animais, por exemplo, para que, no futuro, essas crianças passem a respeitar seus semelhantes, porque eu vejo na vara infância e juventude muitos infratores que iniciam sua vida de crime maltratando animais”.
Assim como a juíza, o Major Isnard de Almeida também acredita que a inserção do projeto pode trazer melhorias à cidade no que diz respeito a criminalidade: “A criança deve ser educada para fazer o bem às pessoas. Se ela acha que pode matar um animal, vai achar que pode matar uma pessoa”, opina.
A vereadora Clara Sena, falou sobre o projeto, “o que a implantação do projeto da Educação Humanitária é um avanço para nossa cidade, principalmente num momento onde assistimos a uma realidade de alunos que infelizmente não tem tido a devida educação e orientação dentro de casa e onde os professores vem sofrendo tanto com a violência, seja ela verbal ou física. A Educação Humanitária vem para tornar os nossos alunos mais éticos, mais respeitosos com os seres humanos, com os animais, com os seres vivos em geral! É uma porta que se abre de forma positiva para inovar de forma enriquecedora uma área que precisa mais do que nunca da nossa atenção, e Catu só tem a ganhar”, pontou Clara.
A Educação Humanitária é uma metodologia de ensino que existe em diversos países e busca ensinar crianças valores ligados à ética, respeito ao próximo, aos animais e à natureza, além da não violência. Em Catu, haverá uma escola que funcionará como piloto, onde o projeto será testado. A princípio, é uma possibilidade que a escola escolhida seja a Escola Municipal Adélia Mata, já que passará por uma reforma e receberá uma biblioteca comunitária.